Mudança climática pode gerar crises de energia, diz 1º relatório brasileiro

O aquecimento global pode prejudicar a geração e o abastecimento de energia no Brasil, mostra o primeiro relatório nacional elaborado pelo PBMC (Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas), que foi apresentado nesta segunda-feira (9), em São Paulo.

O país poderá ficar entre 2,5 graus Celsius (°C) e 5°C mais quentes nos meses de verão e de 3°C a 6°C mais quentes no inverno, até 2100 se comparado ao fim do século 20, segundo cenários que levam em conta menor ou maior emissão de gases de efeito estufa. Com esse aumento da temperatura média nas regiões, o volume de chuvas vai diminuir até 40% em importantes biomas brasileiros, como a Amazônia e o Cerrado, afetando a reserva das bacias e dos lençóis freáticos essenciais para a geração de energia elétrica.

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A bacia do rio Tocantins, cujos seus rios cortam os Estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Pará, Maranhão e Distrito Federal (1%), poderá ter uma redução de 30% em sua vazão. Já nos rios da região Leste da Amazônia e do Nordeste – locais onde estão concentrados os projetos de grandes hidrelétricas do governo federal -, a queda no escoamento chega a 20%.

Para Eduardo Assad,  pesquisador do Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) manter as matas ciliares às margens dos rio, que foi motivo de briga entre a bancada ruralista e os ambientalistas durante a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro, é fundamental para a segurança hídrica. É que um dos efeitos mais graves da queda da vazão, além do declínio da biodiversidade nos ecossistemas aquáticos, é a erosão e a fragmentação do solo.

“A gota d’água que escoa vai ‘entupir’ os rios com essa sujeira da terra, por isso a proteção da mata perto dos rios é importante.  Quando você coloca árvores e plantas nas encostas, você impede esse processo de erosão e ainda preserva a qualidade da recarga dos aquíferos. Sem essa proteção, o abastecimento [de energia] de grandes cidades pode ser afetado.”

Assad, que coordenou o volume do relatório brasileiro sobre Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação às Mudanças Climáticas, afirma ainda que o estudo brasileiro aponta que exemplos de grandes usinas, como a Belo Monte, “são opções que deveriam sair da pauta”. “A saída é trabalhar com um novo modelo, com pequenas hidrelétricas em certas regiões, e desenvolver novas tecnologias para outras formas de energia renováveis”, como a eólica.

Relatório nacional

O painel reuniu 350 especialistas de diversas áreas para analisar, divididos em três frentes de trabalho, pesquisas publicadas em revistas científicas desde 2007. A intenção foi atuar nos mesmos moldes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), grupo da ONU (Organização das Nações Unidas) que faz esse tipo de avaliação em escala global.

Segundo Paulo Artaxo, especialista em física atmosférica da USP (Universidade de São Paulo), a intenção de agrupar esses dados era ser um apoio consistente para a elaboração do novo relatório do IPCC quando o painel brasileiro foi criado em 2010, e aumentar os destaques sobre as influências do clima na América do Sul e no Brasil. Mas como ele saiu quase paralelamente ao do estudo global, que será apresentado no fim de setembro, os resultados dificilmente deverão ser incorporados ao texto final.

“Mas os dados apresentados hoje são muito consistentes com o relatório que o IPCC deve divulgar no fim do mês. E eles dialogam com as questões globais, só que com um recorte sobre as características regionais do Brasil”, defende Artaxo. Rascunhos que vazaram para a imprensa internacional no fim de agosto mostram que a influência humana é responsável por mais de 50% do aumento da temperatura da superfície entre 1951 e 2010.

Para o presidente Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o objetivo do PBMC é fazer, também, uma “avaliação neutra baseada em evidências científicas, com um enorme detalhamento sobre o que é importante para nós”.

Fonte: UOL – leia a matéria na íntegra aqui.
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