Pesquisa revela perfil dos negócios sociais no Brasil

Mais rentável e com impacto direto nas classes baixas, os negócios sociais apontam o seu foco para a educação e se concentram, principalmente, na região Sudeste. Esses são alguns dos principais resultados publicados pela pesquisa inédita sobre a atuação dos públicos que movimentam o crescimento dos negócios sociais no Brasil.

A avaliação do Polo Brasil da Ande (Aspen Network of Development Entrepreneurs) em parceria com a Fundação Avina e a Potencia Ventures baseou-se no mapeamento e na definição dos perfis das empresas, acompanhado de rodadas de entrevistas com 40 desenvolvedores e 14 investidores selecionados pela Plano CDE –consultoria e instituto de pesquisa especializada no universo das classes C, D e E.

São considerados negócios sociais os empreendimentos que utilizam mecanismos de mercado com a finalidade de minimizar desigualdades socioeconômicas, ou seja, contabilizam um impacto social positivo. Para critério de análise, foram considerados dentro do plano de negócios sociais os desenvolvedores e os investidores.

As organizações que buscam apoiar micro e pequenas empresas a crescer por meio de um conjunto de serviços de impacto social são os desenvolvedores, entre eles as incubadoras, as aceleradoras e as ONGs geradoras de renda ou atuantes no ramo de impacto estrutural. Elas criam o cenário para o crescimento do negócio e apoiam por um determinado período de tempo.

Segundo mapeamento, no Brasil os desenvolvedores estão concentrados na região Sudeste (75%), seguida pelas regiões Nordeste (10%) e Sul (8%). Sendo que 45% desses desenvolvedores apoiaram até dez empresas ou organizações com foco na base da pirâmide, no ano de 2010.

“O movimento solidário é antigo no país, já os negócios sociais começaram em 2007. Hoje o Brasil tem cada vez mais demanda, isso porque as organizações, principalmente do terceiro setor, estão em busca de alternativas de funcionamento com maior significado para a sociedade”, explica Renato Kiyama, acelerador de negócios sociais da Artemisia, empresa participante da pesquisa.

De acordo com o estudo, a educação está entre os negócios mais apoiados (75%). Artesanato e ambiente seguem empatados vêm em segundo e terceiro lugares. “A educação tem impacto social estruturante. Segue o consenso comum de ser a base para as transformações. Uma empresa que investe no setor será sempre vista com bons olhos”, afirma Leonardo Letelier, CEO e fundador da sitawi, uma das investidoras entrevistadas.

Como forma de suporte aos empreendimentos, as desenvolvedoras oferecem também a prestação de serviços. Palestras, cursos e treinamentos lideram a lista com 93%, orientação/consultoria estratégica e inclusão de rede de contatos aparecem com 73%, seguida da disponibilidade de suporte tecnológico, que representa 60%.

“A formulação da pesquisa apontou pontos importantes para o desenvolvimento dos negócios sociais: a busca pelo entendimento do mercado, o interesse de investidores de fora do país e o surgimento de instituições relativamente jovens lideradas por profissionais mais novos, qualificados e que buscam no trabalho algo com mais sentido para a sociedade”, diz Rob Parkinson.

PERIL DOS INVESTIDORES

No segundo momento da pesquisa, foram selecionados 14 investidores com intencionalidade de investir em negócios sociais ou que já dão a sua contribuição na forma de doações, empréstimos ou equit. Fundamentais para viabilizar os empreendimentos, também se concentram na região Sudeste (86%), assim como os desenvolvedores. São compostos principalmente por associações civis (36%) e empresas privadas (29%).

Enquanto metade dos investidores baseia-se no impacto social do empreendimento, outros 43% levam em conta não só o impacto, mas também o retorno financeiro. O levantamento mostra que 14% esperam de 20% a 30% de retorno após cinco anos.
Entre os aspectos mais importantes para decidirem investir está o impacto social, seguido da pessoa do empreendedor.

NEGÓCIOS SOCIAIS

Fundada em 2004, a Artemisia oferece plataformas para criação e aceleração de negócios sociais. Com uma demanda até maior do que consegue atender, a desenvolvedora segue um rigoroso processo de seleção.

Um dos projetos de maior visibilidade da empresa é o SaÚtil (sautil.com.br), um site construído para que pessoas de baixa renda tenham acesso aos serviços oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

“Com uma linguagem simples, o sistema informa gratuitamente os serviços disponíveis para a população, como, por exemplo, o local mais próximo onde determinado remédio está disponível, além de postos de vacinação e marcações de consultas”, explica Renato Kiyama.

Um dos clientes relevantes é o Instituto Feira Preta. A organização sem fins lucrativos atua na promoção e no desenvolvimento sociocultural da comunidade negra e do empreendedorismo afro-brasileiro em nível nacional. O instituto desenvolve ações como cursos e eventos, para mais de 14 mil pessoas, com o intuito de incentivar e divulgar a cultura negra.

Apesar do grande número de visitantes ao evento, grande parte das vendas se deu no mês anterior, outro problema era a falta de recurso de caixa devido ao não recebimento de um patrocínio em 2010. A feira ocorre anualmente, em São Paulo, desde 2002. Para resolver fluxo de caixa, a sitawi concedeu, neste ano, o empréstimo de R$ 100 mil.

No caso do The Hub, uma rede colaborativa global com o propósito de apoiar e inspirar empreendedores, o presidente Pablo Handl elege o projeto Carbono Zero como um dos mais relevantes.

Semelhante ao modelo europeu, a empresa presta serviços de entrega utilizando somente bicicletas, o que diminui a emissão de poluentes. “Não focamos em setores, focamos em pessoas que querem gerar impacto socioambiental positivo, fazendo acontecer as suas ideias”, conclui Handl.

Para ver a matéria completa, clique aqui.

Abraços!!

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Sobre NEF - PUC/SP

Sobre o NEF Núcleo de Estudo e Pequisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Administração Strictu Sensu. Eixos temáticos: Pensamento Prospectivo, Sustentabilidade,Consciência,Educação e Qualidade de Vida.
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